Diretores jurídicos realmente consultam os rankings antes de contratar os escritórios

09 de março de 2026

Por PRISCILLA ADAIME

Foto Diretores jurídicos realmente consultam os rankings antes de contratar os escritórios

Uma pergunta frequente entre sócios dos escritórios de advocacia é se os diretores jurídicos e executivos C level realmente utilizam rankings e diretórios jurídicos na hora de contratar assessoria externa.

A resposta curta é sim. Diversas pesquisas realizadas por organizações do setor jurídico mostram que esses diretórios continuam sendo uma das principais fontes de pesquisa e validação utilizadas pelos departamentos jurídicos corporativos.

Estudos conduzidos por publicações e consultorias especializadas indicam que 69 por cento dos diretores jurídicos consultam diretórios jurídicos antes de contratar um escritório de advocacia. Além disso, 89 por cento afirmam que rankings influenciam diretamente a decisão sobre qual escritório receberá determinado trabalho.

Esses dados aparecem em levantamentos realizados por organizações como Legal 500, Acritas Thomson Reuters e Chambers and Partners, que frequentemente entrevistam diretores jurídicos para entender como decisões de contratação são tomadas.

Outro dado relevante indica que aproximadamente 49 por cento dos diretores jurídicos consultam o Legal 500 regularmente ao longo do ano, o que mostra que os diretórios não são usados apenas em momentos pontuais de contratação, mas também como ferramenta contínua de monitoramento do mercado.

Os diretórios jurídicos mais consultados pelos departamentos jurídicos

Entre os diversos rankings disponíveis, alguns se destacam pela credibilidade e pela frequência com que são utilizados por departamentos jurídicos corporativos.

Chambers and Partners é amplamente reconhecido como um dos diretórios mais rigorosos do mercado. O guia conduz pesquisas independentes, entrevistas com clientes e análises detalhadas para classificar escritórios e advogados em mais de duzentas jurisdições. Segundo dados divulgados pela própria publicação, 86 por cento dos general counsel afirmam consultar o Chambers durante processos de seleção de escritórios.

Outro diretório amplamente utilizado é o Legal 500, especialmente para identificar expertise em áreas específicas do direito e cobertura internacional. Pesquisas conduzidas pela própria publicação indicam que 93 por cento dos general counsel afirmam consultar o Legal 500 ao avaliar escritórios de advocacia.

Já o IFLR1000 possui forte relevância em áreas ligadas ao direito empresarial, especialmente em práticas como fusões e aquisições, financiamento e mercado de capitais. Seu público é formado principalmente por executivos do setor financeiro e jurídico envolvidos em transações complexas.

O GC Powerlist, publicação associada ao Legal 500, também ganhou relevância nos últimos anos por destacar lideranças jurídicas corporativas em diferentes países, oferecendo uma visão mais próxima das prioridades e desafios enfrentados pelos departamentos jurídicos.

Entre plataformas especializadas, o Lexology Index também aparece com frequência em pesquisas de mercado. Dados publicados pela própria plataforma indicam que cerca de 36 por cento dos diretores jurídicos consultam esse tipo de diretório especializado ao procurar advogados com expertise específica.

Como os diretores jurídicos escolhem os escritórios de advocacia

Dados sobre o papel dos diretórios jurídicos na decisão de contratação

Como os diretores jurídicos utilizam esses diretórios

Os diretórios jurídicos são utilizados em diferentes momentos da jornada de contratação de um escritório.

Um dos cenários mais comuns ocorre quando um departamento jurídico precisa contratar assessoria em uma jurisdição ou área de atuação que não conhece bem. Nesses casos, os rankings ajudam a identificar rapidamente quais escritórios possuem reputação consolidada naquele mercado.

Outra situação recorrente envolve a busca por expertise altamente especializada. Quando surgem demandas complexas ou pouco frequentes, os diretores jurídicos utilizam os diretórios para identificar advogados que tenham experiência comprovada naquele tipo de trabalho.

Os rankings também são utilizados como uma forma de validação externa. Mesmo quando um escritório já foi indicado por outro profissional ou parceiro de negócios, muitos diretores jurídicos verificam a reputação da banca em diretórios independentes antes de avançar com a contratação.

Além disso, os diretórios também funcionam como ferramentas de benchmarking. Departamentos jurídicos frequentemente consultam rankings para comparar escritórios e garantir que estão trabalhando com profissionais considerados referência em determinadas áreas.

O que esses dados significam para os escritórios

Para os escritórios de advocacia, esses números reforçam que os diretórios jurídicos não são apenas instrumentos de reconhecimento institucional.

Eles fazem parte da infraestrutura de informação utilizada pelos clientes para tomar decisões.

Quando um escritório aparece bem posicionado em um diretório respeitado, ele aumenta suas chances de entrar na lista inicial de opções consideradas por um diretor jurídico.

Em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado, estar presente nesses guias ajuda a reduzir a assimetria de informação entre clientes e escritórios, funcionando como um mecanismo de reputação e credibilidade.

Diretórios jurídicos como parte da estratégia de marketing

Isso explica por que muitos escritórios tratam os diretórios jurídicos como parte central de sua estratégia de marketing e posicionamento institucional.

Ao participar desses rankings, o escritório não está apenas buscando reconhecimento, mas também ampliando sua visibilidade junto ao público que efetivamente toma decisões de contratação.

Para muitos diretores jurídicos, os diretórios funcionam como um ponto de partida para identificar potenciais assessores externos, especialmente em situações que envolvem novas jurisdições, áreas especializadas ou transações complexas.

Em um ambiente em que reputação e confiança continuam sendo determinantes, os diretórios jurídicos seguem desempenhando um papel relevante na conexão entre escritórios e clientes corporativos.